A descoberta do vírus

A primeira suspeita da existência de vírus data do final do século XIX. O cientista russo Dmitri Ivanovski, em 1892, e o holandês Martinus Beijerinck, em 1898, descobriram em estudos diferentes que um novo agente infeccioso era causador de uma doença conhecida por mosaico, que ataca plantas.

Demorou quase meio século para os cientistas verem, de fato, um vírus. Somente na década de 40, com a invenção do microscópio eletrônico, é que esses minúsculos seres foram observados. Nos anos seguintes, descobriu-se que os vírus eram responsáveis por muitas doenças e, mesmo com os avanços da ciência, nem todos os vírus são conhecidos. Muitos deles podem habitar  regiões inexploradas ou estar restritos a algumas populações isoladas.

EUA: EPIDEMIA DE 39 ANOS

A primeira grande epidemia de pólio nos Estados Unidos, em 1916, infectou mais de 27.mil pessoas em 26 estados, resultando em aproximadamente 6 mil mortes e milhares de casos de paralisia.

Ao longo da epidemia norte–americana (1916 a 1955), foram infectadas em média 38 mil pessoas por ano, sendo que em 1952 chegou–se a alarmante taxa de infecção de 35 em cada 100 mil habitantes.

A poliomielite é uma doença viral, que atingiu principalmente crianças de zero a quatro anos, causando a morte por comprometimento dos músculos respiratórios ou deixando seqüelas com a perda parcial ou total da capacidade de contração dos músculos, quadro conhecido como paralisia flácida aguda.

O presidente norte–americano Franklin Delano Roosevelt contraiu pólio em 1921, aos 39 anos de idade. Em 1937, Roosevelt criou a Fundação Nacional para Paralisia Infantil, talvez uma das maiores responsáveis pelos investimentos maciços na pesquisa da vacina contra a pólio.

Em 1945, a Fundação Nacional para Paralisia Infantil, colaborando com a Associação Americana de Fisioterapia, investiu mais de um milhão de dólares para o avanço da fisioterapia no tratamento da poliomielite paralítica.

Diversos artigos internacionais comparam a importância da pólio como equivalente ou superior a das duas grandes guerras mundiais, no desenvolvimento das técnicas de fisioterapia e da profissão de fisioterapeuta no mundo.

NO BRASIL DESDE O SÉCULO 19

Existem relatos de casos de poliomielite no Brasil desde o século XIX. A partir de 1930, diversas capitais brasileiras foram fortemente afetadas pela paralisia infantil: Porto Alegre (1935), Santos (1937), São Paulo e Rio de Janeiro (1939).

Nos anos 40, Belém (1943), Florianópolis (1943 e 1947), Recife (1946) e Porto Alegre (1945)39.

Nos anos 1950, a epidemia de poliomielite atingia principalmente cidades do interior e surtos importantes ocorreram em algumas capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. Em 1953, o Rio de Janeiro registrou sua maior epidemia, atingindo a taxa de 21,5 pessoas infectadas por 100 mil habitantes.

Os maiores afetados pela pólio eram crianças e, segundo inquérito sorológico realizado em 1956 no Rio de Janeiro, os grupos de condição socioeconômica mais elevada correspondiam 60 a 70% dos casos paralíticos conhecidos, demonstrando menor imunidade natural à poliomielite.

"A sombra da invalidez sobre uma coletividade" era o título de matéria publicada pelo jornal Correio da Manhã em 1953, ressaltando "a importância médico–social da paralisia infantil, que como se sabe não respeita nem raça, nem idade, nem país e nem clima, causando vítimas no mundo inteiro e levando uma grande percentagem destas à invalidez temporária ou mesmo definitiva".

Em outra página do mesmo jornal, o Dr. Oswaldo Pinheiro Campos, médico do Hospital Jesus que atendia a crianças vítimas de poliomielite, declarava o caráter epidêmico da doença no Rio de Janeiro, aparentemente contrariando as autoridades municipais. Segundo ele, nos três primeiros meses de 1953, "houve doze óbitos de paralisia infantil e 130 casos" e, referindo–se à tendência das autoridades municipais em negar a existência de epidemia, ressalta que "é muito mais útil reconhecer e contar uma verdade, embora desagradável, do que encobrir com artifícios de lógica".

As primeiras vacinas (Salk) contra a poliomielite foram utilizadas no Brasil a partir de 1955 em alguns consultórios e clínicas pediátricas no Rio de Janeiro e São Paulo.

Em 1960, foi realizada a primeira vacinação em massa com a vacina Salk e, em 1961, iniciaram–se grandes campanhas de vacinação em diferentes cidades brasileiras, já com a utilização da vacina Sabin distribuída pelo Ministério da Saúde.